domingo, 22 de abril de 2018

Nova casa

Mudámos de casa...

https://notadepagina.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

História de Amor dos Tempos Modernos

Há cerca de duas décadas cheguei a um encontro de amigos, à noite, num café, apenas para encontrar um dos ditos em extremo entusiasmo. Contou-me que, quando se preparava para sair e vir ao nosso encontro, ligou a televisão na RTP2 para ser saudado pela actriz Ana Brito e Cunha que, de forma simpática, o elucidou sobre o facto de ser um Idiota. Enquanto a música cuspia decibéis à nossa volta, ele falava-me do poema que desconhecia e que ouvira só parcialmente.

- Assim que liguei a televisão e me preparava para sentar no sofá, ela disse “Sente-se… Está sentado? Você é um Idiota!”. Foi tão estranho… Mas como liguei a televisão no momento em que estava a começar a declamar, nem sei de quem é…
- É do Bertold Brecht. – respondi.
- Tu conheces?
- Sim… Tenho o livro de poesia do Brecht… Vou ver se te trago.

Nessa noite acho que nos (re)descobrimos. Ele olhava-me com a admiração de me descobrir conhecedora de Bertold Brecht. Eu, surpreendida com este rapaz que desistira da escola para arranjar carros, mas que se deixava arrebatar pela poesia. No encontro seguinte levei-lhe uma fotocópia do poema. Continuámos a mútua (re)decoberta. Meses depois concluímos que havia mais que uma amizade. Faz hoje 19 anos que partilhamos poesia. E, recentemente, ele voltou a surpreender-me… Foi aos seus papéis e veio mostrar-me um em especial… Dobrado, com vincos de 20 anos, estava a fotocópia que lhe dera.

"Sente-se.
Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode fumar.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.

Você é um idiota.

Está realmente a escutar-me?

Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então Repito: você é um idiota. Um idiota.
I como Isabel;
D como Dinis;
outro I como Irene;
O como Orlando;
T como Teodoro;
A como Ana.
Idiota.

Por favor não me interrompa.
Não deve interromper-me.
Você é um idiota.
Não diga nada.
Não venha com evasivas.
Você é um idiota.
Ponto final.

Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um idiota.
Pergunte pois aos seus parentes.
Se você não é um idiota...
claro, a você não lho dirão, porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.
Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota.
É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o Idiota negue que o é.
Oh, como se torna difícil convencer um idiota de que é um Idiota.
É francamente fatigante.
Como vê, preciso de dizer mais uma vez que você é um Idiota e no entanto não é
desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você
não saber o que toda a gente sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.
Mas também ele é um idiota.
Faça favor, não se console a dizer que há outros Idiotas:
Você é um Idiota.
De resto isso não é grave.
É assim que você consegue chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política!
Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de Idiota você não precisa de se preocupar com mais nada.
E você é Idiota

(Formidável, não acha?)"


por Bertolt Brecht






terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O Homem de Giz

Agora que acabaram as festividades e a necessidade de nos envolvermos no manto quente e confortável da companhia de familiares e amigos, chegou a altura de nos isolarmos na leitura de livros cujo negrume rivaliza com o dos dias de Inverno.   Eis que, como que seguindo a deixa, a Planeta decide começar 2018 com o lançamento de “O Homem de Giz”.  Recebi, na semana de Natal, uma cópia de avanço deste Thriller Psicológico que afirma, de uma forma que eu julguei algo arrogante, ser “o livro do ano 2018”.  Pfff!
 
 
No dia 24 de Dezembro comecei a leitura.

Dia 25, depois do almoço da praxe em casa dos pais, voltei à carga.

Dia 26 regressei ao trabalho com o meu exemplar (já bastante manuseado) dentro do saco para dele tirar proveito nas pausas de refeição.
 

 Entrei em 2018 com o livro do ano já lido! (um livro lido numa semana - o que, para uma mãe de dois filhos pequenos é um feito considerável!).
 
Sim, a afirmação pode ser arrogante, mas considerando o conhecimento que tenho dos clientes que frequentam a minha livraria, julgo que seja correcta.  A verdade é que, para grande parte da família leitora, o mistério de uma boa história policial ou thriller é motivo mais que suficiente para manter a luz do quarto acesa pelas horas nocturnas adentro, mesmo sabendo o quanto isso nos custará na manhã seguinte…  “O Homem do Giz” vai ser responsável por muitas olheiras em 2018!

A história, narrada na primeira pessoa por Eddie Adams, vai intercalando os acontecimentos da morte de uma jovem em 1986 com o ponto em que as testemunhas estão em 2016.  Eddie (ou Ed, como chamam agora ao homem de 42 anos) vai-nos guiando pela vida do seu grupo de 5 amigos com 12 anos de idade e, mais amargamente, pela forma como as vicissitudes da vida marcaram uma separação entre alguns membros do grupo e uma existência quase isolada para outros.  Na verdade, e apesar de ser um Thriller, há relativamente poucas mortes durante os relatos de Eddie…  O grafismo (excepto nos capítulos finais) é pouco.  O desconforto que sentimos, esse, é enorme!

Há algo de particularmente constrangedor, um mal-estar latente, sempre que uma história é contada pelos olhos de uma criança.  Uma criança que, com os amigos, encontra o corpo desmembrado de uma jovem no bosque junto à aldeia onde vive.  Uma criança que vive numa casa a cair aos pedaços com um pai jornalista e uma mãe que trabalha numa clínica de abortos.  Uma criança que fala, na primeira pessoa, de bullying.  Uma criança que vê um acidente numa feira de diversões e que salva a vida de uma jovem com a ajuda do novo professor da escola…  O “Homem de Giz” (assim apelidado pelas crianças pelo facto de ser albino).  Uma criança que vive as alterações da idade com intensidade.  Uma criança que, possivelmente, não é de confiança…
 
“O Homem de Giz” não é um livro com descrições macabras ou de violência extrema (excepto, talvez, no final).  Mas é um livro que nos mantém em suspense, desejosos do novo desenlace, da próxima peça do puzzle.  E o final...  Não desaponta!

A imprensa internacional não deixou passar o quanto “O Homem de Giz” faz lembrar o conto “O Corpo” de Stephen King Em "O Corpo", que viria a ser adaptado ao cinema com o título "Conta Comigo" e com River Phoenix no elenco, King conta-nos a história de quatro rapazes que se aventuram nos bosques em busca de um jovem desaparecido e de como a sua aventura acaba por se tornar um ritual de passagem da infância à idade adulta, e o início de perda da inocência.  E sim, há paralelos, mas eu, nestas coisas das comparações, sou sincera...  Acho sempre de extrema pressão para o comparado.  C. J. Tudor há-de, se este livro é prova de algo, formar nome por si própria no mundo do Thriller.  E vai ser bem sucedida.  Se precisava de começar este percurso sendo comparada com o Rei do Terror?  Não!  Apenas porque, à semelhança do que acontece comigo sempre que alguém é comparado à Agatha Christie, os fãs de Stephen King vão repudiar a comparação com um enérgico abanar de cabeça e revirar de olhos.  Simplesmente porque, autores como King ou Christie construíram o seu legado literário ao longo de anos e é humanamente impossível alguém conseguir atingir os seus níveis de qualidade numa primeira tentativa. 

Por isso peço, leiam este livro sem tentar retirar comparações, sem procurarem outro escritor nas páginas de "O Homem de Giz"...  Mas façam um favor a vós próprios:  leiam este livro!

(E pensar que tudo começou com um balde de paus de giz que alguém ofereceu à filha da autora como prenda do seu segundo aniversário...)
 
 
Nota 4

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

50 Sombras de Grey - o Filme


Estreia no dia dos Namorados, 2015

Dar a palavra aos humoristas










Gosto muito de ler biografias, mas, por norma, fico-me por membros da realeza ou autores que já não estão entre nós.  No entanto recentemente dei comigo a ler a autobiografia de 3 humoristas britânicos (é raro ver televisão portuguesa, pelo que tomo conhecimento de pessoas que, de outra forma, nunca ouviria falar).


1 - A primeira autobiografia é "Bonkers - my life in laughs" da Jennifer Saunders (isbn13: 9780241967263, format: Paperback, Penguin). 
Conhecida do público português pelas séries "French and Saunders" e "Absolutely Fabulous", era, mais que a obra, a mulher em si que me fascinava.  Sempre que a via sem ser a encarnar um "boneco" ficava fascinada com o que dizia e a maneira que demonstrava ser.  E, apesar de ela ser uma comediante, não estava à espera de rir ao ler este livro.  Mas a verdade é que, quando cheguei à parte em que ela transcreve a sua participação num filme francês (depois de ter mentido e afirmado que dominava a língua) fez-me rir até às lágrimas...  Ainda bem que estava sozinha em casa!

Nota 4



2 - "Life and laughing - My Story" de Michael MccIntyre (isbn13: 9780141045672,  format: Paperback, Michael Joseph)
Se não conhecem o humor de Michael McIntyre, desafio-os a pesquisá-lo no Youtube...  e a verem só um clip!  A primeira vez que o fiz (uma noite em que o sono teimava em não chegar) às 6h da manhã ainda estava a rir, feita parva, em frente ao ecrã do computador.  Mesmo nas entrevistas que dá, Michael McIntyre consegue sempre fazer-me rir (experimentem a ida dele ao Top Gear).  Decidi ler a sua autobiografia para conhecer um pouco mais do homem por trás da comédia.  Gostei do livro, que é uma janela aberta para a sua vida e para as dificuldades que teve de ultrapassar antes de atingir o sucesso.  Michael dá esperança a todos os sonhadores!

Nota 4



3 - "Is it Just Me?" de Miranda Hart (isbn13: 9781444734164, format: Paperback, by Hodder & Stoughton).
Miranda Hart é uma humorista que aposta no humor à antiga (físico e baseado na sua natural falta de jeito - para a qual o seu metro e oitenta ajuda bastante), para arrancar gargalhadas ao público.  Deu, também, mostras da sua capacidade mais dramática com o seu papel em "Call the Midwife".  O livro é escrito em formato de diálogo entre a Miranda do Presente e o seu "Eu" Passado...  A sua aprendizagem ao longo dos anos, a sua evolução e os seus conselhos...

Nota 3

segunda-feira, 26 de maio de 2014




ESTOU NUA, E AGORA?
de Francisco Salgueiro
 
ISBN 9789897411595
 
Quantas vezes acordamos com vontade de mudar de vida? Deixar para trás os mesmos lugares, as mesmas pessoas, a relação que não vai a lado nenhum?
 
 
Alex, uma nova-iorquina, vive uma vida perfeita: acabou o curso e tem um emprego garantido. Está prestes a cumprir os sonhos que desenharam para ela. Mas um desgosto de amor leva-a a viajar pelo mundo. Precisa de se conhecer melhor e ultrapassar os seus medos.
Da Tailândia ao Brasil, da Austrália a Marrocos, faz Couchsurfing dormindo em colchões, beliches, camas limpas, camas sujas, parques públicos – até em casa de Francisco Salgueiro dormiu , em Lisboa.
Nudismo, algum sexo, ilhas paradisíacas, jantares românticos, protestos de rua, festivais no deserto, um encontro com Nelson Mandela, mulheres que disparam bolas de ping pong das suas zonas íntimas – tudo isto faz parte desta história real passada nos sete continentes, ao longo de um ano, que representa tudo aquilo que gostaríamos de fazer.
Há pessoas que cometem erros por se acomodarem e outras que cometem erros por tentarem. A Alex preferiu errar tentando. E vocês?
Um convite aos adolescentes e jovens adultos a tomarem as rédeas da sua vida e a partirem à descoberta do mundo!




Sobre o autor
Francisco Salgueiro. Sócio da primeira empresa portuguesa de assessoria mediática e digital de celebridades, Naughty Boys. Fotógrafo premiado internacionalmente. Autor de doze livros publicados pela LeYa/Oficina do Livro, incluindo os bestsellers Homens Há Muitos e O Fim da Inocência.

O Dia a Dia na Livraria






Julgo que já aqui referi que, para além de bibliófila, sou Livreira de profissão (erro crasso...  ainda os livros não saíram do camião e já eu os estou a por de parte para comprar).  E se, por vezes, os clientes da livraria têm saídas que nos fazem (sor)rir, outras há que só nos apetece despir o uniforme e responder-lhes como merecem.  Felizmente, há situações em que conseguimos responder-lhes à letra sem ter de despir o colete...



Há uma senhora que vai frequentemente à loja e que tem a mania de "olhar de cima" para os funcionários. Um dia, estava eu a atendê-la, e ela sai-se com esta:

- Estou à procura de um livro da Jane Austen, em inglês, para a minha neta. Ela é uma menina de 12 anos, mas muito culta para a idade. Mas você não me pode ajudar, porque não percebe de clássicos... O pior é que não me lembro do título... Só que é a história de duas irmãs.

Ora, para além de ser de Línguas e Literaturas Modernas, sou também, como criança culta que fui, fã da Jane Austen desde a infância, tendo lido (e relido) todos os seus livros várias vezes... Claro que só podia responder de uma forma:

- Julgo que está à procura do Sensibilidade e Bom Senso, ou Sense and Sensibility, a história de Elianor e Marianne Dashwood e dos seus amores conturbados com Edward e Willoughby.

A senhora abre muito os olhos e comenta:

- Ah... Conhece?

Não... Pedi a ajuda do público!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Excelente Colecção

Se, como eu, adoram os clássicos, recomendo esta colecção, da editora Civilização, que recupera muitos dos grandes nomes da Literatura.  Os livros são todos de capa dura e com preços super simpáticos (entre 7,99€ e 10,99€).

 





























terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Não Berres Comigo, Pai!



 
 
Não Berres Comigo, Pai!
de Moni Port, Philip Waechter
Editor: Livros Horizonte
ISBN: 9789722417419
 
 
Sinopse:
 
O pai da Helena não sabia falar normalmente. Tudo o que dizia saia-lhe da boca aos berros. A Helena estremecia mas, só por dentro. Até que um dia tomou uma decisão que deixou o pai mudo e calado. Ou quase.... Uma história que mostra como às vezes, muitas vezes aliás, os filhos também podem ensinar os pais.
 
 
 
Este Livro tem uma boa ideia por trás:  a ideia de que todas as crianças podem ensinar algo aos Pais.  Mas, infelizmente, as notas positivas acabam aí!
Talvez eu seja "picuinhas", mas a verdade é que não me parece uma boa ideia escrever um livro para crianças no qual a personagem principal, uma menina, farta do Pai só saber falar aos berros, decidir fugir de casa e pedir guarida em casa de desconhecidos enquanto os Pais, preocupados, andam à sua procura e só a encontram quando, muito depois, vêm um anúncio a um concerto em que ela vai tocar.  Bem sei que livros são ficção, mas como explicar a uma criança de 4 ou 5 anos que, apesar de no livro esta ser uma boa ideia e de, no fim, tudo correr pelo melhor, que NUNCA se deve fugir de casa e MUITO MENOS pedir abrigo a pessoas que nunca se viu na vida???

Péssima ideia para uma história infantil!


Nota 1

sábado, 26 de outubro de 2013

As 50 Sombras de Christian Grey...



Para as meninas que gostam da trilogia "50 sombras", aqui fica uma foto do actor que foi, esta semana, contratado para o papel de Christian Grey...   Que me dizem?

(para quem viu a primeira série do "era uma vez...", é o actor que fazia de huntsman/xerife)



quinta-feira, 17 de outubro de 2013


 
 
 
 


domingo, 6 de outubro de 2013

A Maior Flor do Mundo





A Maior Flor do Mundo
de José Saramago
Editor: Editorial Caminho
ISBN: 9789722114370
 
 
Sinopse:
 
Sabia que José Saramago tinha escrito um livro para crianças (dos 7 aos 77, como costuma dizer-se, porque estes livros, se bem que recomendados para os mais novos, não têm, por assim dizer, "limites de idade") ? "A Maior Flor do Mundo" conta a história de um menino que vai até ao fim do mundo para salvar uma flor. Ou ainda, como diz o Nobel da Literatura, é "uma proposta para as crianças reinventarem outras histórias". As ilustrações são de João Caetano.
 
 
 
 
Começou um novo ano lectivo e, na livraria onde trabalho (tal como em todas as outras do País, estou certa) as últimas semanas têm sido preenchidas com a correria dos pais, de lista de livros em punho, à procura dos livros de leitura obrigatória para os filhos levarem para a escola.  A minha sugestão de hoje, e porque ainda sou uma criança de 34 anos, é o livro infantil de José Saramago constante do Plano Nacional de Leitura (admito que não sei para que ano está direcionado). 
"A Maior Flor do Mundo" é, a meu ver, um excelente exemplo de como os livros infantis não têm de ser restritivos e podem (e devem!) ajudar a criança a aumentar os seus conhecimentos linguísticos.  O autor começa por falar em como os livros de criança devem ser escritos com palavras simples, e de como ele nunca aprendeu a escrever assim...  depois segue-se a sua tentativa de contar uma história...  a história que ele contaria se soubesse escrever livros de criança.

Como acho que os pais devem poder ajudar os filhos, e sabendo como é escasso o tempo da maior parte das pessoas hoje em dia, deixo aqui ficar uma belíssima animação, com a história do livro, narrada pelo autor.  Espero que gostem! 
 
 
 
 
 
Nota 4

sábado, 5 de outubro de 2013

Manifesto Anti-Dantas




 
Manifesto Anti-Dantas e por Extenso
de José de Almada Negreiros
Editor: Assírio & Alvim
ISBN: 9789723716887


Sinopse:

Edição Limitada.
Publicado em 1915 o Manifesto Anti-Dantas foi uma reacção pública e veemente de Almada Negreiros contra a oposição crítica e conservadora ao movimento modernista português, aqui personificada por Júlio Dantas. A edição que agora se apresenta, da responsabilidade de Sara Afonso Ferreira, inclui uma gravação inédita do Manifesto Anti-Dantas lido pelo próprio Almada Negreiros.





Cá em casa o Manifesto Anti-Dantas é um favorito quer comigo quer com a cara metade. Volta e meia, um de nós pega na obra e partilha em voz alta a genialidade de Almada Negreiros... Outras vezes deixamos que a voz de Mário Viegas nos envolva com as suas exclamações de "Morra o Dantas, morra! Pim!"
Esta edição, recente, da Assírio e Alvim, é, para quem como nós adora a obra, uma prenda de Natal antecipada. Não só traz a obra por extenso, como podemos ouvir o próprio Almada Negreiros a declamá-la (o livro traz um cd com a gravação).

Quanto à obra...

É preciso ser-se um génio para com, ironia, inteligência e sarcasmo se deitar abaixo não só um rival literário (Júlio Dantas) como também toda uma geração que o apoia... Gostaria que houvesse agora um Almada Negreiros que abrisse assim os olhos a quem se arrasta no marasmo sem agir contra a situação nacional... Porque, assim diz o poeta:

"Basta pum basta!!!
Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!
Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! Pim!
Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!
Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!"


Tantos "Dantas" que há para aí...



Nota 5

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Rugas





Rugas
by
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Manhãs Gloriosas





Manhãs Gloriosas - Acordar com a TV nunca foi tão interessante
de Diana Peterfreud
Editor: Quinta Essência
ISBN: 9789898228420



Sinopse:
 
Notícia de última hora: a ambiciosa produtora televisiva Becky Fuller é despedida de um programa matinal de Nova Jérsia e a sua carreira começa a parecer tão deprimente como a sua vida amorosa.
Desesperadamente necessitada de um emprego, mas ainda assim cheia de um optimismo sem limites, Becky promete assentar bem os pés na terra e depara-se com uma oportunidade no Daybreak, um programa matinal que é gravado em Nova Iorque. Os péssimos níveis de audiência são apenas a ponta do icebergue: os produtores executivos raramente sobrevivem ao intervalo publicitário seguinte e as câmaras antiquadas deviam estar num museu.
Prometendo ao director da cadeia televisiva que é capaz de reverter a espiral descendente, Becky faz ao lendário apresentador Mike Pomeroy uma oferta que, por contrato, ele não pode recusar. Acrescente Pomeroy com êxito à equipa, mas ele recusa-se a participar nas reportagens mais lamechas de Daybreak e em rubricas sobre celebridades, meteorologia, moda e artesanato. Além do mais, antipatiza imediatamente com a sua igualmente difícil co-apresentadora, Colleen Peck, e tempos vencedora de um concurso de beleza.
A única alegria na carreira de Becky é Adam Bennett, um colega produtor maravilhoso, mas a alucinação de Daybreak vem dificultar o seu incipiente romance. À medida que a química entre Mike e Colleen no ar se torna mais explosiva a cada dia, Becky é forçada a lutar para salvar a sua vida amorosa, a sua reputação, o seu trabalho, e, finalmente o próprio Daybreak.





Bem, na verdade gostaria de lhe dar um 3,5 mas, à falta de meios pontos, tenho de me resignar com o 3.

Andava numa fase em que me apetecia ler algo leve, que me permitisse abstrair do trabalho ao mesmo tempo que não me fizesse pensar... Teria de ser algo que, acaso a leitura fosse interrompida pelo meu filhote de 2 anos, eu não perderia o fio à meada. Só havia um problema: não sou grande fã de literatura light e não acho piada às histórias "boy-meets-girl".

Nem de propósito, ao fazer as compras do mês, encontro este livro no hipermercado com 60% de desconto. Pensei "mesmo que não goste, o estrago não é muito grande". E, admito, o enredo passado nos bastidores dos programas informativos da manhã (ou, mais que informativos, de entretenimento) apelaram à (quase) jornalista que há em mim...   (note to self: tenho mesmo de acabar os trabalhos finais e trazer o Diploma para casa!!!)

Gostei do livro, que pode, sei-o bem, enquadrar-se no tão detestado estilo light.

A ideia de uma Produtora jovem e inexperiente, desistente universitária, que vive para o emprego mas que acaba despedida por falta de qualificações escolares atraiu-me. O relato de como conseguiu novo emprego e teve de lutar e suar para se provar (aos outros mas, também, a si própria), que teve de convencer um conceituado jornalista a ingressar no seu programa apenas para o ver afundar ainda mais as já de si fracas audiências para, com isso, a obrigar a dar, ainda mais, o litro fez acender em mim a chama do orgulho pessoal de quem não quer deixar o curso a meio. E, claro, o final feliz faz-nos acreditar que a seguir à tempestade vem a bonança (ainda que só por 10 minutos).

E, para quem gosta da temática "girl-meets-boy", claro que também a vai encontrar aqui, não fosse este um livro baseado numa comédia (romântica?)

E, para quem já tanta vez leu um livro aliciada por um filme nele baseado, devo admitir que provavelmente vou acabar por ver o filme que deu origem a este romance... Nem que mais não seja para ver o Harrison Ford no papel do cáustico e irritante Mike Pomeroy.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Odisseia de Edward Tulane




 
A Odisseia de Edward Tulane
de Kate DiCamillo
Editor: Edições Gailivro
ISBN: 9789895574612
 
 
Sinopse:
 
Era uma vez um coelho de porcelana chamado Edward Tulane. O coelho vivia feliz com a sua dona, Abilene, uma menina que o adorava mais que tudo! Mas um dia, Edward perde-se... Kate DiCamillo leva-nos numa viagem extraordinária: Das profundezas do oceano às redes de um pescador, do cimo de um monte de lixo ao acampamento de sem-abrigos, da cabeceira de uma criança doente às ruas de Memphis... Brilhantemente ilustrado por Bagram Ibatoulline.
 
 



Gostei mesmo muito deste livro (que comprei há meses para quando o piolhinho for maior).
Há uma predisposição para se procurar livros infantis alegres, em que tudo é belo e florido e onde o herói é sempre feliz... Esta obra de Kate DiCamillo não é assim! É a história (a Odisseia) de um coelho de porcelana, egoísta e vaidoso, que vai penar bastante antes de ter o seu "final feliz" (que o há, mas mais difícil de atingir). Mas, nesse percurso penoso e longo, aprende uma lição sem preço... aprende a aceitar o Amor que lhe dão mas, mais importante ainda, aprende a Amar quem lhe quer bem!
Sim, é um livro triste às vezes (ele perde-se, fica no fundo do mar, é recuperado, é abandonado, é descoberto por um vagabundo, é atirado para longe, é feito espantalho, é roubado, é adoptado, a sua dona morre, tem a cabeça partida em 21 pedaços,...), mas é uma lição de amor aprendida numa aventura belíssima e magistralmente escrita... Porque as crianças devem aprender que nem tudo na vida vem facilmente... E que o Amor é a maior dádiva do Mundo!



Nota 4

sábado, 24 de novembro de 2012

huuuuuuummmmm...





Cliente - Boa tarde, tem "O Gosto Proibido da Beringela"?


(eu, pessoalmente, estou ansiosa pela sequela, "O Sabor Mortífero da Courgette"!)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A brincar, a brincar...



 
 
Mixórdia de Temáticas
de Ricardo Araújo Pereira
Editor: Tinta da China
ISBN: 9789896711368
 
 
 
Sinopse
 
Uma compilação dos guiões da rubrica radiofónica da Rádio Comercial que tem o mesmo elegante nome.

A rubrica que fez com que a Rádio Comercial se tornasse líder de audiências.
 
Vasco: Então o senhor esteve um bocadinho deslocado na manifestação.
Eu: Foi, porque estava tudo a gritar: «Está na hora, está na hora / de o governo se ir embora» e eu era o único a dizer «Gaspar, tudo se arranja / vê lá se a gorda quer uma canja». Sozinho, mas aguentei-me ali a gritar as minhas palavras de ordem, parecia o Che Guevara das canjas.
 
 
 

Jamie Oliver... em 15 minutos!





Refeições em 15 Minutos
de Jamie Oliver
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-06365-6
 
 
 
Sinopse
 
Este livro vai ao encontro do que os leitores me têm pedido - refeições ultrarrápidas, saborosas e nutritivas para o dia a dia.

A criação destas receitas foi toda uma nova experiência para mim; procurei que fossem metódicas, criativas, informais e divertidas, com ingredientes magníficos - uma explosão de sabores para os seus cozinhados!

Provavelmente não tornarei a escrever um livro de cozinha como este, mas asseguro-lhe que ficará com um livro de referência, que lhe dará as ferramentas necessárias para poder criar refeições fantásticas e extremamente rápidas.

Fui buscar inspiração à cozinha dos quatro cantos do mundo, introduzindo sabores de que todos nós gostamos nos pratos clássicos de frango, carne, e massa; apoiando-me na colorida comida asiática vendida na rua e nos flamantes sabores da comida marroquina; dando importância às saladas e tantos outros acompanhamentos. Com este livro, tentei apresentar uma multiplicidade de cozinhas que estão a conquistar cada vez mais entusiastas. Estas foram as refeições mais rápidas e fáceis que fiz até hoje.

Jamie Oliver
 
 
 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

pois...






Cliente: Desculpe, tem o livro "............?"
Eu (depois de consultar o computador): "não, desculpe mas não temos...  Não consta da nossa base de dados"
Cliente (após uma breve pausa): "Estranho!...  Disseram-me que havia na Cnaf e na Beltram"


(Só para que saibam, eu trabalho na Cnaf)