sábado, 6 de agosto de 2011

Há dias assim...

Isto de se trabalhar no atendimento ao público tem o que se lhe diga...  Nem todos possuem a diplomacia e a compustura necessárias para estar, todos os dias, em frente a um balcão...  Mesmo os que têm a capacidade de se controlar, invariavelmente acabam por, num ou noutro dia, desejar poder despir a "farda" e responder enquanto indivíduos e não estatísticas.  Eu sou uma dessas pessoas!

E depois...

Há dias assim...

Hoje acordei e, como sempre, tinha os minutos contados.  Levantar, preparar-me, vestir-me, acordar o Pipoca, trocar fralda, dar biberon, trocar o babygrow da noite pela roupinha para o dia, levar a carga toda dele para o carro, pegar nele e na mala, fazer malabarismo com a chave da porta e a chave do portão e a chave do carro, pegar em nós e ir levar o Pipoca a casa dos meus pais antes de ir para a livraria.  O Pipoca hoje estava do contra...  Tudo era pretexto para brincar e o vestir, que por norma é uma tarefa relativamente rápida, tornou-se num trabalho hercúleo.  Cheguei a casa dos avós já cansada e a suar...  E ainda tinha pela frente um dia a descarregar e arrumar livros e a atender as pessoas que, privadas de um Agosto balnear, acabam a deambular pelos shoppings do País.

Mas...

Há dias assim...

Dos primeiros 10 clientes que atendi, 4 ou 5 eram uma delícia!!!  Simpáticos, educados, agradáveis...  Ouviam o que lhes dizia e fizeram-me acreditar que, para eles, eu era mais que a funcionária de colete que os guia à prateleira pretendida...  Era a Raquel...  A "jovem" apaixonada pela leitura e pelos livros, cuja opinião é válida, interessante, inteligente... 
Foi como se tomasse um "comprimido espiritual", que me deu força, qual suplemento vitamínico, para o resto do dia.
Hoje, as costas doeram um pouco menos ao serem vergadas pelo peso dos livros.  Hoje o relógio não era o inimigo a vencer para poder, rapidamente, ir ao encontro do meu Pipoca.  Hoje as tricas do trabalho passaram-me ao lado.  Hoje arrumei o móvel dos dicionários e do apoio escolar com um sorriso nos lábios.

Isto tudo porque...

Há dias assim...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Uma aventura no coração de África… até ao mais profundo de nós mesmos.


Até Lá Abaixo
3 homens, 1 jipe e 150 dias de aventura em África
de Tiago Carrasco
Editor: Oficina do Livro
ISBN: 9789895557288


Sinopse:
Em 2010, o jornalista Tiago Carrasco e dois amigos, o fotógrafo João Henriques e o cameraman João Fontes, decidiram largar os seus empregos mal pagos e concretizar um velho sonho: atravessar o continente africano de automóvel. O pretexto que arranjaram foi o Mundial de Futebol, que se realizava em África pela primeira vez, mas a viagem seria muito mais do que um longo passeio destinado a celebrar o desporto mais popular do mundo - seria, sim, o maior desafio da vida destes três homens.

Este é o relato das emoções e das peripécias que Tiago Carrasco e os seus companheiros de estrada viveram ao longo desses 150 dias alucinantes, passados no deserto e na selva, em aldeias perdidas e nos bairros das lata de grandes cidades, em lugares vergados à pobreza e à violência e noutros onde a esperança subsiste apenas por milagre. Até Lá Abaixo descreve-nos esta epopeia de 30 mil quilómetros, de Marrocos à África do Sul, passando por 21 países, que é também uma viagem interior aos nossos medos e à nossa capacidade de superar as maiores contrariedades. Uma lição de sobrevivência. E uma aventura inesquecível.




Vivemos um momento na nossa vida económico-social em que expressões como “Geração à Rasca”, “precariedade”, “desânimo”, “desemprego” e “recibos verdes” tornaram-se, infelizmente, parte do vernáculo português. Este livro, nascido de tais circunstâncias, dá-nos a esperança de, no meio do nada, podermos encontrar uma resposta para as questões que nos tiram o sono.

Tiago Carrasco, jornalista, 28 anos, poderia ser o poster-child da supracitada Geração à
Rasca. Perseguindo o sonho de uma carreira na comunicação, lançou-se, esperançoso, no jornalismo. O trabalho, precário e a recibos verdes, não lhe trazia a estabilidade e segurança por que ansiava. O desânimo instalava-se, cada vez mais, e o desemprego era, muitas vezes, a sua realidade.
Numa dessas alturas juntou-se a dois amigos (o fotógrafo João Henriques e o cameraman João Fontes) e, sob o pretexto do Mundial de Futebol na África do Sul, decidiu embarcar numa aventura que iria, como mais tarde se provou, não só mudar os seus dias mas, também, as suas perspectivas de vida. Os três homens decidiram fazer em 150 dias, e num jipe, os 30 mil quilómetros que separam Marrocos do país anfitrião do Mundial, atravessando, pelo caminho, 21 países africanos.

O que começou por ser uma aventura (com a qual a maioria poderia sonhar mas nunca ousaria fazer) e uma fuga a uma realidade desgastante, acabou por se revelar uma viagem ao mais profundo de si mesmos, uma viagem de auto-conhecimento em que as prioridades foram pesadas e em que novas metas de vida se traçaram…

Às vezes, para bem avaliarmos a nossa vida, temos de nos afastar dela…

Recomendo este livro a todos os portugueses que anseiam por manter uma esperança no futuro.


sábado, 2 de julho de 2011

Ser mulher... no coração negro da guerra...


"As Mulheres dos Nazis"
de Anna Maria Sigmund
Editora: A Esfera dos Livros
ISBN: 978-989-626-306-5
EAN: 9789896263065



Sinopse:

 Adolf Hitler exercia um enorme fascínio sobre as mulheres. Emocionadas, com lágrimas nos olhos, eram as protagonistas de uma autêntica histeria de massas em eventos públicos onde aquele discursava. As senhoras da sociedade alemã de então também o admiravam e abriram-lhe o caminho para o sucesso. Mulheres como Hanna Reitsch, Leni Riefenstahl e Winifred Wagner elevaram a fama do seu ídolo. Geli Raubal, a sobrinha de Hitler, cometeu suicídio por sua causa e Eva Braun seguiu-o até à morte. Quem eram as mulheres dos oficiais de Hitler? Como viveram? Qual foi o seu papel na vida oficial, e nos bastidores? O que sentiu Magda Goebbels quando assassinou os seus seis filhos em 1945? Como lidavam Carin e Emmy Göring com o vício de morfina do seu marido? Como encarou Henriette von Schirach a decisão do seu marido de deportar 60 mil judeus de Viena? Corresponderam Unity Mitford e outras mulheres envolvidas no círculo nebuloso da elite do Partido Nacional-Socialista ao ideal que se propagava: «O homem cuida do povo e a mulher da família?» A historiadora Anna Maria Sigmund responde a estas e outras questões, numa obra fascinante e original sobre o lado feminino do Terceiro Reich.



Foi com uma curiosidade aguçada que me debrucei sobre este livro.  Via, na sua leitura, a possibilidade de perceber como seria, para uma mulher, viver no meio do regime nazi, com todas as suas atrocidades, e conseguir levar a vida sabendo-se rodeada de tanta dor e tanta morte.  Claro que não sou ingénua ao ponto de pensar que a crueldade e a malvadez são caracteristicas exclusivas do chamado sexo forte, e bem sei que sempre houve, e sempre haverá, mulheres para quem o poder é o melhor dos afrodisíacos...  mas, ainda assim, e para mais sabendo que o papel da mulher no Terceiro Reich era o da matrona que, apoiando o marido, servia ainda de exemplo à prole e à sociedade, fazia-me muita confusão pensar em como essas mulheres conseguiam consiliar dois aspectos tão díspares da sua personalidade.

Pois bem...  Algumas não tinham qualquer problema em fazê-lo, gozando do seu status às custas de um preço demasiado alto a pagar por terceiros.  Outras havia, no entanto, que, aparentemente, estavam, pura e simplesmente, cegas ao que as rodeava.

Se, num prato da balança, encontramos mulheres como Magda Goebbels que, tendo sido criada por um padrasto judeu e amante de um outro, renunciou de bom grado a tudo e aceitou casar-se com Joseph Goebbels principalmente para estar próxima de Hitler, que idolatrava (um dos pontos em comum que tinha com o marido), ao serviço de quem colocou a casa que ganhara aquando do divórcio do primeiro casamento para que o Fuhrer podesse fazer as suas reuniões em local seguro; no outro prato temos, por exemplo, Emmy Göring, segunda esposa de Hermann Göring, ex-actriz, que pouco lidava com o líder nazi e que, com a sua influência junto ao marido, chegou a ajudar colegas actores de origem judia, a quem, aparentemente, recebia na sua casa.

Em comum, todas tinham o facto de viverem completamente abstraídas do que se passava a seu redor...  quer por escolha ou (possível) ingenuidade.  Fausto, riqueza e fartura faziam parte do seu quotidiano.  A dor só a conheceram no final, com o desmembramento do Terceiro Reich e o julgamento (ou suicídio) dos maridos e delas próprias.  Alegando ignorância pediram a clemência que os nazis não demonstraram durante o seu "reinado".

O livro é super interessante e faz-nos o retrato de oito "esposas-nazi"...

No final, continuo com dúvidas...

Nao acredito que alguém possa ter vivido no centro da filosofia nazi e não se ter dado conta no meio do quê estava a viver...  Ninguém é assim tão ingénuou ou distraído...


Nota 3

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Morte dos Livros?



Um dos requesitos para se trabalhar numa livraria é tentar estar-se sempre a par das novidades...  Mesmo das que não se gosta...  Uma das novidades é o download de livros para o Kindle ou para o IPad...
O meu chefe já por várias vezes me confidenciou o seu receio de que estas novidades tecnológicas possam colocar em perigo o nosso papel de livreiros...  que nos torne obsoletos.

Tenho de admitir que compreendo a sua preocupação...  em parte.
Vivemos numa sociedade de novas tecnologias, em que os gadgets são cada vez mais cobiçados e em que a imagem vale ouro...
Mas...
Sou incapaz de me ver a ler obras de outra forma que não em formato de livro...  Nem gosto de ler por fotocópias (maneira como sobrevivi muitas vezes nos anos de estudante).  Para mim não há nada melhor que poder folhear as páginas de um livro...  passar os dedos na superfície ligeiramente àspera das folhas, perdermo-nos na teia das fibras que as compõem...  ter a sorte de ler um livro antigo, com as suas folhas amarelecidas e cheiro adocicado...  poder olhar para um quarto forrado a livros, não há melhor decoração, mais viva, mais bela... 

Para mim um livro não é só um livro, é um objecto de arte, de decoração, de culto... 

Não me imagino a viver num Mundo sem livros...

Só espero, para o bem dos livreiros e das livrarias, que a maioria das pessoas concorde comigo...



quinta-feira, 30 de junho de 2011



Uma das coisas melhores, para mim, na profissão de livreira é poder, de alguma forma, contribuir para a "educação" e formação literária de alguém no início do seu percurso...  Todos os que se apaixonaram pela palavra impressa tiveram, em algum ponto, uma ou outra experiência, um encontro fortuito com alguém, que lhes marcou o percurso de leitores.

A mim, foi a D. Milú!  Uma senhora pequenina e franzina, de passo acelerado e cabelo alvo como a neve, que tinha uma papelaria em Sintra...  Antes de começar a ler (com destreza) livros, os meus pais compravam-me, todas as semanas, uma ou duas revistas de B.D. (fossem da Disney ou da Turma da Mónica).  Com uma paciência de Job, a D. Milú retirava para cima do balcão todas as revistas e via-me, por vezes durante uma meia-hora, a debater-me com o dilema de ter de escolher entre o Cascão, o Cebolinha ou o Pato Donald.  Sempre teve um sorriso nos lábios, uma palavra meiga e uma amizade verdadeira pela criança de 6 anos que tentava escolher o que melhor se adaptaria ao seu gosto volátil.  Ainda hoje, aos 32 anos, tenho por ela um enorme carinho e, sempre que passo na sua recentemente fechada papelaria, sinto a nostalgia de uma felicidade terminada...

Esta semana fui, novamente feliz...  Senti que, de alguma forma, me tornei a D. Milú de alguém...
Uma senhora foi à minha loja com a sua filha de 11 anos.  Vieram ter comigo.  A filha segurando excitadamente entre as mãos um exemplar de "A Vida de Pi"...  A mãe preocupada com a escolha da filha.  Aproximaram-se e a mãe proferiu uma pergunta que, apesar de a ouvir inúmeras vezes, continua a não me fazer o menor sentido: "Este livro é indicado para uma criança de 12 anos?"

Faço aqui um pequeno àparte...  Esta é uma questão com que me debato desde que comecei a trabalhar numa livraria...  Já perdi a conta à quantidade de pessoas que me aborda à procura de "um livro para uma senhora que vai fazer 52 anos", ou "para um senhor na casa dos sessenta", ou "para uma criança de 8, mas que é muito precoce".  Os livros não têm um prazo de validade...  Não há nenhum livro que tenha de ler a partir da hora em que faz 52 e até ao minuto anterior a completar os 53, sob o risco de "autodestruir-se"!  E, a falar a verdade, a maturidade literária varia consoante o leitor e não a idade do mesmo...  Há pessoas de 50 e tal anos que nunca leram mais que uma Nora Roberts ou um Nicholas Sparks (excelentes autores do seu género) e crianças de 11 (como a menina de que falo) que já leram o "Diário de Anne Frank"...  Eu própria tomei conhecimento e apaixonei-me por Tolstoi aos 13 anos (facto que salientei à mãe da minha cliente...  que não se coibiu de me informar de que eu "não era normal"), o que não invalida que aos 32 anos releia com gosto os livros de Agatha Christie que fizeram as minhas delícias aos 11 anos.

Voltando ao que interessa...  O livro em questão era para oferecer como prenda de aniversário a uma amiguinha da rapariga que, já tendo lido "O Diário de Anne Frank", a mãe tinha receio que não tivesse maturidade para "A Vida de Pi" (que a própria filha estava a ler com gosto).  Dei-lhe o meu conselho sincero...  Acredito, piamente, que se um jovem mostra apetência para a leitura a mesma deve ser fomentada e alimentada por quem o rodeia...  Deve-se, sempre, estimular o gosto, ajudando-o a evoluir e crescer como leitor...  E, mesmo receando a rápida evolução e um crescimento rápido, a verdade é que isso é, a meu ver, preferível a uma castração ou a um retrocesso a quem já conseguiu tal evolução.

Levaram "A Vida de Pi"...  e a menina saiu excitada com a perspectiva de ler Tolstoi aos 13 anos.

Dois dias mais tarde, na minha hora de almoço, fui às compras ao shopping...  No regresso à loja encontrei de novo as duas...  Fui agraciada com 2 enormes sorrisos e com a excitante novidade de que a aniversariante se apaixonara pelo livro só de lhe tomar o peso e ver a capa...

Sorri...

Por mim e pela D. Milú...

Lição aprendida, mestra!


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Cada um com as suas pragas...

As Dez Pragas do Egipto
(in Almanaque Sábado 2011)

1 - O Rio Nilo e toda a água do Egipto transformam-se em sangue.
2 - O Rio Nilo regurgita rãs, que invadem as residências dos egípcios.
3 - O pó da terra transforma-se em mosquitos.
4 - Moscas venenosas.
5 - A peste aniquila todo o gado egípcio.
6 - Uma epidemia de úlceras e tumores, espalhada a partir de cinza de forno que Moisés lança ao ar.
7 - O granizo destrói toda a verdura dos campos e arruina as colheitas.
8 - Uma praga de gafanhotos arrasa o que tinha escapado ao granizo.
9 - Densas trevas cobrem o Egipto durante três dias.
10 - Páscoa judaica: Deus mata o filho primogénito de todos os egípcios.


Os Dez Clientes Praga de um Livreiro
(quando são dados exemplos foram vividos na primeira pessoa)

1 - O que não sabe bem o que quer. ("Desculpe, estou à procura de um livro...  Não sei o título nem o autor, mas a capa é azul e custa 19,90€").
2 - O que julga que temos a obrigação de ver os mesmos programas de televisão e tomar nota dos títulos que lhe interessam (e que pedem o "livro do Professor Marcelo", o "livro da Oprah" ou "Olhe, eu queria um livro de que estavam agora a falar na Antena 1.  Sabe qual é?  Vinha a ouvir o programa à vinda para cá!")
3 - O que começa a falar sem, sequer, nos cumprimentar e que, em resposta aos nossos "bons dias", se chateia por achar (correctamente) que estamos, subtilmente, a chamá-lo de mal-educado.
4 - O que, ao não encontrar o que pretende, se vira contra quem o está a tentar ajudar ("Desse autor, com esse título não temos nada, mas eu mostro-lhe onde estão os livros dele." "Você não percebe nada disto!  Vá mas é dar uma volta!"  "Ok!")
5 - O que, por frequentar uma livraria, se julga superior ("Quero um livro, não sei o autor mas chama-se Os Maias" "Ah, sim...  E quer dos Livros do Brasil?"  "Duh!  O autor é português!")
6 - Os que assumem automaticamente que toda e qualquer pessoa a trabalhar numa grande superfície comercial só lá está para ganhar uns cobres para a noite.
7 - O que ateima no erro ("Desculpe mas não é isso...  Quero o "Amor em Tempo de Guerra" do Gabriel Garcia Llorca!")
8 - O que nos coloca perguntas, no mínimo, constrangedoras ("desculpe, viu "O Meu Pipi"?")
9 - O que encomenda livros caríssimos sobre temas específicos, que sabe que não vai comprar, e que os acaba por abandonar por trás de uma pilha de cds na secção da Música (como se assim não soubessemos que não os comprou)
10 - O que, por mais que nos esforcemos, não percebe a diferença entre "esgotado" e "não disponível" ("Desculpe, mas esse livro já está esgotado" "Ah, então pode encomendar" "Não...  Está esgotado...  A editora já não faz mais!" - por norma este cliente solta uma de duas exclamações quando finalmente "cai a ficha": 1 - "Um livro tão bom!  Realmente"  Só publicam porcarias!"  2 - "A ver se a menina diz à editora para voltar a fazê-lo"...  Sim...  Eu sou unha com carne com o Assírio e o Alvim  :P)


Bem sei que, quando comparadas, as minhas pragas parecem uma ninharia...  Mas as pragas do Egipto já foram há tanto tempo...  E o Egipto é tãããããão longe!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Crime e Castigo... À Portuguesa!

"Crime e Castigo
no País dos Brandos Costumes"
de Pedro Almeida Vieira
Editora Planeta
EAN 9789896571900

Sinopse


No jardim à beira-mar plantado chamado Portugal consta que sempre viveu um povo sereno e de brandos costumes.
Este livro vai desfazer o mito.
Na verdade, a História de Portugal mostra que, desde tempos remotos, homens e mulheres mataram por paixão ou por motivos fúteis, bandidos semearam o pânico, houve serial killers, violadores e facínoras da pior espécie, ladrões de igrejas e hereges. Muitos sofreram depois, no corpo, as consequências dos seus actos, perante um Estado que então aplicava a lei de talião: olho por olho, dente por dente.
Um exacto século depois da Constituição da República de 1911 ter abolido a pena de morte para todos os crimes, e 250 anos após a última execução numa fogueira da Inquisição, eis o retrato verídico de uma selva à beira-mar plantada, através de 30 narrativas que relatam crimes históricos em Portugal. 
 
 
Ao pensar nos outros povos a maior parte de nós tem ideias pré-concebidas que dificilmente afastamos.  Quando o assunto são os povos mediterrâneoa, os conceitos são limitativos...  Os Italianos são Apaixonados e Apaixonantes; os Espanhóis são Efusivos e Festivaleiros; os Portugueses...  são Apáticos.
Neste livro, o último título a sair da pena de Pedro Almeida Vieira ("Nove Mil Passos", "A Corja Maldita" e "A Mão Esquerda de Deus", o autor abana as fundações sobre as quais assentam esses preconceitos.
Através do relato de 30 crimes cometidos antes da abolição da pena de morte no nosso País, Pedro Almeida Vieira mostra como, mesmo na pacatez saloia do Portugal de outros tempos, o crime, a sede de sangue, a malvadez e a crueldade corriam nas veias de um povo que, aparentemente, possuía a calmaria de um mar sem ondas...  apenas para provar que, como este, na sua imensidão e profundidade se escondiam perigos iminentes.
Os relatos abrangem toda uma panóplia de crimes; das façanhas de Diogo Alves no Aqueduto das Águas Livres; passando pela bela adúltera que mais que apupada foi cantada em verso a caminho do castigo final; passando por Luísa de Jesus, uma infanticída que recolhia crianças da Roda dos Expostos (onde eram deixados os orfãos e "filhos de pais incógnitos", apenas para as matar às dezenas; e, finalmente, a história de Maria José, a jovem que com o seu crime (matou e desmembrou a mãe) acordou a chama literária de um jovem de 23 anos, de seu nome Camilo Castelo Branco, que a viria a imortalizar na obra "Maria! Não me Mates, Que Sou Tua Mãe!" (Editora Diversos, EAN 9789728983017).
 
O livro, apesar de estar longe de ser um pilar da literatura, lê-se muitíssimo bem (com a curiosidade mórbida que faz com que se abrande ao passar num acidente, e com o gosto envergonhado e cheio de culpa com que se visitam os sites de novidades cor-de-rosa...  aquele género de coisa que, apesar de gostarmos, custa-nos a admitir publicamente)...
 
Nota 3